A “setembrite” chegou, e agora?

     No 2º semestre do ano, a maioria dos jovens candidatos à cursos universitários sofrem a tão conhecida ansiedade  do mês de setembro, “a setembrite”, principalmente com o encerramento das inscrições da Fuvest e Unicamp.
Chegada a hora da inscrição do vestibular, ele terá que fazer a escolha da futura profissão, e uma das maiores pressões do momento é a indecisão, exacerbada nesse período de ‘enfrentamento’. Aflora também a pressão a que são submetidos desde a infância pelo processo educativo, seja pelos pais ou instituições, influenciando ou até mesmo, muitas vezes, camuflando suas verdadeiras inclinações e vocação, maximizando as incertezas que rodeiam o jovem vestibulando.

Além das questões inerentes a esse difícil processo de decisão (relacionadas com mercado de trabalho, status profissional, remuneração, possibilidade ou não de cursar em outras cidades, gerando custos maiores, etc), os pais, mesmo com a melhor das intenções, podem involuntariamente ampliar essa margem de dúvidas.

Como os vestibulandos e familiares lidam com toda essa expectativa?
Optar por uma carreira, em sua essência, é um projeto de vida, e deve envolver uma reflexão sobre quem você é e encontrar seu verdadeiro caminho. Conhecer suas habilidades, motivações e interesses, é fundamental para a definição da carreira a ser seguida.
Visitar faculdades e conversar com profissionais da área contribuem para uma maior segurança no delicado momento da escolha. Em alguns casos, perder o medo de desistir (por ter feito uma escolha equivocada, geralmente baseada em influências e exigências externas) e recomeçar, pode representar um importante passo na busca pela tão almejada realização pessoal e profissional. Deve-se sempre ter em mente que existem inúmeras possibilidades de transferências de cursos, o que possibilita a correção de rota ‘durante o vôo’.
Por meio de auto-análise ou com a ajuda profissional de um psicoterapeuta, o jovem pode trabalhar essa ansiedade antecipatória dos momentos de enfrentamento pré-vestibular, identificando a emoção negativa principal e transformando-a em criatividade, usufruindo assim de todo seu potencial. Identificar e modificar esses pensamentos, sensações e padrões de comportamento negativos ou distorcidos, resulta numa interpretação construtiva do desafio a ser superado, diluindo o medo que permeia o processo de decisão.
Uma relativa dose de ansiedade é normal e benéfica, pois é estimulante, porém, em excesso, paralisa!

     Aliviar tamanha pressão é tarefa conjunta dos pais, educadores, professores e psicoterapeutas, promovendo ao máximo o diálogo para o esclarecimento de dúvidas e oferecendo o devido suporte emocional para essa fase tão intensa. Orientação sem viés de direcionamento é essencial, pois, acima de tudo, quem deve fazer a escolha final é o próprio jovem.
Nas semanas que antecedem as provas, cada vestibulando deve encontrar sua maneira particular de aliviar a ansiedade, mas certamente praticar esportes (respeitando a condição física de cada um), investir em alimentação saudável e ter boas horas de sono tranqüilo, favorecem a memória e a concentração, indispensáveis durante o período de provas.
Enfim, analisar todas as características de sua personalidade, de interesse e aptidão, conscientizar-se da pressão imposta e convertê-la em esclarecimentos e consciência dos fatos, certamente resultarão em escolhas muito mais assertivas e promissoras.

  
Sandra Lanza Panazzo
Psicoterapeuta
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