Bullying, até que ponto podemos tolerar?

Tristeza, abatimento, isolamento, angústia...meu filho está sofrendo por bullying?

Normalmente quando as crianças ou jovens demonstram qualquer manifestação espontaneamente de que está sofrendo por bullying, certamente já passamos do limite da tolerância e razoabilidade, pois na grande maioria das vezes, essa é uma atitude muito difícil de ser tomada pelas vítimas.

Alguns jovens se entregam a um estado grave de depressão e baixa auto-estima a ponto de se desmotivarem totalmente frente às atividades rotineiras, podendo comprometer os projetos de vida dessa pessoa.

Bullying causa dor e angústia, e isso é cruel! Sem o amparo de bases fortalecedoras e acolhedoras, sejam elas, escolas, comunidade, ou família, a criança acaba crescendo com total incapacidade para a vida.

O bullying  ocorre com maior freqüência na escola e atinge crianças e adolescentes com idades entre 11 a 16 anos.

Bater, agredir, perseguir, aterrorizar, ofender, discriminar, intimidar, excluir, humilhar, tomar pertences à força, são comportamentos característicos de crianças com algum ‘desvio de personalidade’, sendo essas, geralmente caracterizadas pela agressividade, sinais de pouca empatia e/ou reflexos, muitas vezes inconscientes, de famílias desestruturadas. Crianças que possuem comportamento anti social podem chegar à vida adulta apresentando  transtornos graves de conduta, causando, para agressor e vítima, comportamentos destrutivos, podendo atuar como um ‘gatilho’ ou incentivo para o envolvimento com drogas e álcool.O primeiro pelo sentimento de impunidade e o outro por baixa auto-estima e fuga da realidade.

Nós pais, educadores e profissionais da área, devemos ficar atentos com nossas crianças e adolescentes. Não podemos permitir que a violência aconteça, e isso somente será possível através de informação contínua, observação e, principalmente, atitude.

Precisamos informar e incentivar as crianças a se tornarem mais seguras de si, reclamarem da atitude dos agressores e não darem importância às ameaças feitas por eles.

Nas devidas proporções, devemos manter olhar contínuo e cuidadoso, zelando pela aproximação, cumplicidade e afeto com nossos filhos, tarefas essas, que não devemos transferir para terceiros, por mais próximos que sejam.

Nas vítimas, devemos observar se apresentam sinais de maus tratos psicológicos, geralmente representados pela alteração de humor, abatimento e certa introspecção, bem como os aspectos psicossomáticos, como dores de cabeça, mãos frias e dores de estômago. Em contrapartida, os sinais dos agressores frequentemente são representados pelo comportamento arrogante de poder, intolerância a frustração, inquietude, irritabilidade, violência contra animais e sarcasmo.

Nossos jovens indefesos estão se tornando cada vez mais prisioneiros de complexos de inferioridade, gerados por ataques perversos de crianças pouco orientadas, em uma selvageria desenfreada, faltando valores éticos e morais, formando, em proporções desmedidas, seres humanos mais frios e insensíveis, com deficiências nas habilidades sociais.

Vale a perna mencionar também o cyberbullying praticado através de celulares e da Internet. São mensagens e emails contendo difamações e fotografias montadas, divulgadas em sites como orkut, twitter, etc, uma verdadeira rede de intrigas, causando imenso constrangimento para a pessoa.

O processo de escolha da vítima geralmente passa por aqueles que não dispõem de habilidades de defesa e que freqüentemente aprendem em casa conceitos altruísticos de educação ética e moral.

Então os pais poderiam se questionar: Será que ser educado e com bons princípios me torna uma pessoa fraca, vulnerável e alvo fácil para os mais poderosos e sem conceitos superiores? Devemos ensinar nossos filhos a se defenderem igualando-se aos agressores e rebaixando nosso sistema de valores? Obviamente que não!

Nossa sociedade se tornou permissiva demais, magoada, eu diria, e acabou desenvolvendo mecanismos de defesa doentios.

Estamos vivendo um momento para reflexão sobre a crise familiar, sobre o modelo de família que vem se configurando, com falta de vínculos e cumplicidade.

Todos nós já sofremos, em menor ou maior grau, por bullying, e esse fato não nos dá o direito à crueldade. Um erro não justifica o outro, e não se resolve por meio de um simples pedido de desculpas. Ele deixa marcas profundas. Traumas adquiridos na infância podem deixar sequelas que acarretarão prejuízos em aspectos essenciais da vida futura de uma pessoa (relações familiares, afetivas, sociais e profissionais).

Não se trata de uma brincadeira própria da idade, como muita gente acredita. Praticar bullying é um conceito distorcido de diversão. Devemos praticar o respeito.

É sempre válido lembrar que crianças que praticam byllying, muitas vezes, já foram vitimas, e seu desejo inconsciente de se livrar daquele desconforto de humilhação e maus tratos se materializa através da vingança. Para alguns, a reação é uma imenso complexo de inferioridade e para outros, o sentimento é de fúria, levando a uma angústia tão grande que a única saída inconsciente é a identificação com o agressor, seguindo seus passos de crueldade. Não são simplesmente escolhas, existe um histórico pessoal e familiar que deve ser levado em consideração

Sandra Lanza Panazzo.
Psicoterapeuta